Eco Ação

Em seu extenso territórrio, o Japi é considerado Santuário – Patrimônio, possui protocolos legais de preservação em todas as esferas, desde os municipais (municípios que o Japi se insere – Jundiaí, Cabreúva, Pirapora do Bom Jesus e Cajamar), estadual (APA Cajamar, Cabreúva e Jundiaí, e CONDEPHAAT - Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), federal (Mata Atlântica, Sistema de Unidades de Conservação e Área de Preservação Permanente) e internacional (Reserva da Biosfera do Cinturão Verde da cidade de São Paulo).
Sua importância sublime foi referendada com esse ato internacional da ONU, decretando-a patrimônio da humanidade.
Mesmo com todas estas designações, infelizmente a luta para manter o Japi VIVO é árdua com entraves e enclaves, que objetiva a continuidade dos serviços ambientais fornecidos à coletividade não somente no presente, mas para as futuras gerações que ainda estão por vir.
Algumas ações contribuem para este ideal, como as pesquisas científicas, educação ambiental em todas as vertentes, políticas de desenvolvimento sustentável, gestão aplicada, monitoramento ambiental, plano de manejo, entre outras que podemos e devemos fazer, ou exigir dos poderes públicos.
Não podemos mais permitir o flagelo ao Japi! As atividades humanas – ações antrópicas, que interferem e impactam o meio, devem cessar, serem denunciadas e renunciadas.
Atentemos para estas ações; desvios e intervenções de cursos d’água, edificações irregulares, parcelamento do solo, uso das estradas para atividades altamente degradáveis, abandono de animais domésticos, despejos de entulho e lixo, prática de caça, prática de cultos religiosos, ateamento de fogo, desmatamento, atividades com grau intenso de som e outras.

DENUNCIE !! O JAPI AGRADECE E AS FUTURAS GERAÇÕES TAMBÉM!!




07 março 2013

Figuras Femininas


Hoje, é mais evidente o nectário liberado na atmosfera; fragrâncias Mulher!
Paira sobre o ar, uma coloração tom primário: vermelho; derivação cor-de-rosa choque, mas sem exceção, furta-cor.
E em formatação científica-metafórica, oferenda de Feminino pra Mulher, eis magnoliófitas com crescimento monopodial, brotando racemos, cujas brácteas corpulentas envolvem inflorescência; sépalas no verticilo mais externo, com pétalas desabrochando em cálice, antese.
Agora, em linguagem coloquial, regalo de Serra do Japi pra Mulheres: orquídeas com crescimento vertical, florescendo em cachos, cujas folhas protegem flor; folíolos na estrutura reprodutiva externa, com as pétalas formando conjunto de botões que ofertam néctar.
Mulheres! Meninas! O Japi presenteia-nos com 125 espécies de orquídeas em seu território, as quais 44 são pouco comuns, 24 são raras e 18, muito raras.
Estas informações estão em um dos capítulos do livro Novos Olhares, Novos Saberes sobre a Serra do Japi: Ecos de sua Biodiversidade, do autor Dr. Emerson R. Pansarin.
Neste capítulo, minuciosamente é narrado a delicadeza e volúpia dessas flores.
A sutileza do formato, do crescimento, da reprodução, do florir com o atrevimento do processo reprodutivo e seus polinizadores, romantizam mais esta planta, símbolo do exótico; no sentido de suas extremas belezas e extravagâncias, mas totalmente nativas de origem neotropical.
“Na construção floral das orquídeas há variação em detalhes estruturais, na forma e tamanho dos componentes básicos, levando ao surgimento de estruturas muito complexa. Os grãos de pólen, chamados de polínia são extremidades adesivas que fixam o polinizador, formando o polinário. O ovário das orquídeas é ínfero (situa-se abaixo do ponto de inserção das pétalas e sépalas) e pode produzir até centenas de milhares de óvulos, formando um embrião, desenvolvendo a semente e uma camada unicelular. Um único fruto da orquídea pode conter centenas de milhares de sementes que são leves e dispersas pelo vento, caindo em locais apropriados, onde ocorre a endomicorriza (associação simbiótica entre uma espécie de fungo e a semente da orquídea), o embrião é nutrido com carboidratos e minerais”.
Qualquer semelhança na história, não é mera coincidência, é próprio do feminino; colher, acolher e desabrochar, originando vidas.
E transbordando aromas, cores e sabores a todas as Mulheres de Minha Vida; a todas as Mulheres Ativistas; a todas as Mulheres Mulher, tomo em um jardim figurado a figura de uma espécie de orquídea encontrada muito raramente na Serra do Japi, a Ionopsis utricularioides, e a dedico.
 

E em retribuição a aquela que nos contempla com flores exuberantes, convido nós Mulheres, Mães, Filhas, Amigas, a propagarmos a importância de preservar este orquidário natural, que conjuntamente conosco, é referendada hoje, por completar 30 anos, o primeiro ato legal de preservação -- tombamento de um polígono perimetral, que através de estudos do saudoso e genial Dr. Aziz Nacib Ab’Saber, induziu a inalar a fragrância do floral, do amadeirado, do aquático, do efêmero e atemporal das vidas que ali exalam pulsar.
Parabéns a figura feminina que a Serra do Japi representa através de sua silhueta acolhedora de todas as formas de vida.
Parabéns a nós mulheres por mantermo-nos em pé, diante das montanhas...

13 fevereiro 2013

Trekking ANDO o Carnaval, pulando em histórias e sambando nas trilhas.


Neste feriado extenso, decidi encarar um trekking que há tempos cobiçava. Já sabia do esforço físico dispensado; pulmões, pernas e coração a milhão; do conforto zero, dos improvisos no caminho, da mala reduzida ao estritamente necessário, porém pesada, vaidade ....? de lado total, entretanto de alma atenta e olhar desperto para admirar lugares lindos, que no caso deste texto, as palavras desta que escreve, se afasia, pelo simples fato do desconhecimento da linguagem, adjetivos retrátil que expressem a singularidade pura e bela desta reserva, a qual literalmente sambei nas trilhas, oras úmidas e encharcadas por conta de abundância de água de seus vertedouros.

Nestas andanças, também não há como não pular na história do lugar e saltar dentro do nicho que compõe o todo, o individuo, a essência.
E lá, a cada minuto, a cada olhar, em todo canto, o novo; convergir em reflexão de idéias, admiração, aprendizado, fomentando emoções.

E assim se deu, quando trekking ando o Carnaval, pulando em histórias e sambando nas trilhas, conheci os enredos, entrechos de histórias reais, que podem até compor peças e/ou romances da vida como ela é, nos confins.

E a vida simples, singela e de respeito a todos os seres por simplesmente ser, encanta e agrega os cuidados para a alma.

Estou falando dos nativos destes cantos, que ali e dali sustentam a si, somente com o necessário, sabem preservar a natureza, pois dela extraem subsistência, respeitam todas as formas de vida e da labuta diária vivem o contato direto da artimanha do simples, compondo o enredo verídico do lugar.

Aqui no Japi, um lugar lindo tal qual, mas diferente, também têm esses figuras, contadores de histórias, mateiros, pessoas simples, que conhece bem os três profundos vales desta Serra.
Moram desde a maternidade, cresceram vivenciando as fases no Japi, testemunhando transformações, e hoje com famílias estruturadas, dando continuidade, desempenham funções ora de caseiros, ora de trabalhadores no centro da cidade.

Estes com um acervo de conhecimentos da floresta local não formatado em páginas ou registrados em livros, merecem afetuosamente admiração e respeito, principalmente pela história raiz.

Abordo o tema para profunda reflexão, pois na revisão da lei de gestão da Serra do Japi, não basta o ambiental, o social deve ser visto e analisado, por que no território não há só proprietários abastados, há comunidades que necessitam de um aparato da gestão pública para preservar o nicho e manter história; e quando há demanda para conhecer o local, não existem monitores melhores que os nativos, que contam causos e casos.

Um olhar humano e sensível é o radical da equação: conhecer para preservar!

20 janeiro 2013

Manchetes: "Água"

Bem verdade é tal dito: “o jornal de hoje é embrulho amanhã”!

As páginas mono com alguns coloridos são avistadas diferentemente por seus leitores, entretanto com o único destino final.

Manchetes, matérias, releases, fotos e fatos, todos os registros deveriam eternizar, mas são momentos do dia da edição, e pouco ou somente a quem possa interessar, guardam tais, talvez na memória ou em uma caixa qualquer.

Eu, como já escrevi algumas vezes para os jornais local, tenho algumas páginas de edições anteriores guardadas, em uma pasta verde.

Arrumando as gavetas por esses dias, deparei-me com a pasta e comecei a re(viver)ler as opiniões impressas, que oras ali, por impulsão ou não, desempenhei sem qualquer pretensão, o papel de formadora de opinião.

Um texto que escrevi e que sempre bati na tecla sobre a questão, quando discutido o assunto da água no município, é o tão propagado “conforto hídrico” de Jundiaí.

Como profissional da área, ambientalista e cidadã interessada na manutenção da qualidade de vida de Jundiaí, bem sei que esta propaganda muito feita, às vezes nas mesmas páginas mono com alguns coloridos, datadas e impressas, de que falamos anteriormente, é ilusão (idi)ótica, pois não precisa ser expert no assunto para entender a matemática pura de que crescimento populacional versus aumento do consumo de água resulta em déficit futuro do uso do recurso hídrico.

O texto dizia mais ou menos isso, além de chamar a atenção para nossa represa, que armazena uma alíquota de água do nosso manancial, que na época estava com seu nível baixo, baixíssimo, e escombros de demolições as vistas.

O tempo passou, as chuvas vieram, inclusive as de março e, estranhamente em alguns anos até em junho e julho, época seca. Também, creio eu, que os escombros permanecem no fundo da represa e o assunto água continuou ser divulgado, iludindo a comunidade com o espelho d’água que temos.

Eis que em um dia qualquer recente, eu web-leitora dos jornais local, me surpreendo com uma declaração da secretária de planejamento e meio ambiente, Daniela, não gravei seu sobrenome ainda, sobre a fragilidade da questão hídrica em nosso município.

Realmente, é um novo começo de era...e tomara que seja de gentes finas, elegantes e sinceras!!!

Verdade seja dita: Jundiaí pertence a uma bacia hidrográfica (Piracicaba, Capivari e Jundiaí) com um dos maiores déficit de disponibilidade hídrica versus consumo/ habitante. Ainda, possui uma outorga de autorização de captação de água do rio Atibaia; detalhe: ainda; pois este rio é formador de reservas hídricas para o sistema Cantareira, que abastece 52% da região metropolitana de São Paulo.

Também, com a toada de crescimento demográfica que a cidade incorporou nesses últimos anos, o aumento extra, da curva populacional natural padrão da cidade, é muito maior e considerável, para a garantia de água nas torneiras.

E, infelizmente, nossos rios estão sendo poluídos ou são poluídos.

A questão é crítica mesmo, requer seriedade nas tomadas de decisões e um raio X detalhado.

Enquanto isso, façamos cada qual a sua, sendo racionais com o uso da água, lembrando atentamente que a “torneira” aberta desnecessariamente, esvazia, esgota, esvaia o precioso diamante líquido da vida.

31 dezembro 2012

RETRÔ Expectativa

Anteriormente, prometi retomar este espaço com os ecos do Japi. 

Não consegui como gostaria, não consegui por completo.

Infelizmente o tempo é cada vez mais escasso!

Mas, não penso em abandonar...

Escrever sobre o Japi, pra mim, é prazeroso por demais!!

E assim pretendo, em tempos talvez espaçados, ou bem espaçados, compor um texto com qualquer formatação, mas alusivo ao Japi.

Qualquer formatação sim, pois amo poesia, e o Japi me (ins)pira a prosar... Gosto também de opinar, idealizar e relatar.

Enfim, este de hoje, tem o intuito de finalizar o ano de 2012 e dar as boas vindas ao ano de 2013, com a toada de retro expectativa de desejos ainda não realizados, mas totalmente ansiados.

Contextualizando o desabafo, 2011 e 2012 foi um período conturbado, que colocou em xeque a continuidade da preservação do território da Serra do Japi, por interesses mais difusos e imaginários, ocupação e uso do território.

O Conselho Gestor do Território da Serra do Japi conjuntamente com outros Conselhos de caráter ambiental, exaustivamente reuniram-se para avaliar propostas do que foi classificado como revisão da lei do Japi.

Entretanto, não se tratava de mera revisão, acerto de pontos falhos para a continuidade da preservação e restrição maior de uso e ocupação do local.

Foi proposta uma nova lei, cheia de vícios, confusa, extensa e na linguagem coloquial de legalistas, com brechas.

Foram dias de luta; de vociferar pretensões claras descritas em linguagem obscura.

Felizmente, ano novo, gestão nova, esperança oxigenada!

Assim desejo que pontos cruciais como, por exemplo; fiscalização do território, atuação da comunidade local e inserção social no território, continuidade das visitas monitoradas com educação ambiental na REBIO (Reserva Biológica), extensão do território em unidade de proteção integral, subsídio para elaboração de novos programas e implementação do Plano de Manejo da REBIO, acompanhamento dos trabalhos científicos e divulgação dos resultados, fomentação do uso da Base Ecológica, entre tantos outros aspectos; sejam materializados em ações concretas, embasadas tecnicamente e discutidas com os atores do território japiense, para que os impactos sejam mitigados, minimizados, reduzidos e extinguidos.

Depois desta extensa lista de idealismo ambiental, ou melhor, reivindicação sócio-ambiental, eis que inflada de alegria e felicidade, aproveito para divulgar uma obra, que no mínimo, somatizou 4 anos de trabalho, entre captura de imagens, levantamento em campo, revisão de textos, organização, desenvolvimento de arte e capa, edição final e publicação; o livro “Novos Olhares, Novos Saberes Sobre a Serra do Japi: ecos de sua biodiversidade”, o qual participo como organizadora juntamente com o Querido Doutor Prof. João Vasconcellos Neto e a Doutora Angélica Maria Penteado.

Este é composto por 24 capítulos e atualiza a bibliografia da Serra, pois o último livro científico que retrata o Japi é de 1992.

É a nova bíblia do Japi!!! Que tem por objetivo nortear uma gestão pública ambiental do território coerente com a sua biodiversidade. É um precioso trabalho, vale o investimento.

O pré lançamento já foi feito online e para mais informações segue o link da editora -- http://www.editoracrv.com.br/?f=produto_detalhes&pid=3662

Haverá um lançamento oficial do livro na terrinha, em breve mais notícias.

Saudações japienses e bravo ecos de felicidade!!!