A natureza transcende beleza como a composição que divaga além da sonoridade, do ritmo e da harmonia, sonhos. E transcendendo, incita os que afloram em vida, a compor poesias cifradas e grafadas, primícias do sentir.

Certa vez li que dentre uma lista prazerosa de acontecimentos momentâneos em nossas vidas, uma delas é ligar o FM, companheiro de muitas horas e horas, e escutar aquele som (música) que nos aguça a acordar sonhando e levantar, ativando momentos reflexões.
Confesso que tenho este prazer quase que diário! Adepta e vidrada em música entrego-me neste momento mágico, parando para apreciar o som acompanhada das letras que nos diz algo á acreditar.
Mas na verdade, a música que tanto me estimula e estimula a outros, é só uma vaga filosofia que tive em uma nova expedição, desta vez não no Santuário Japi. Esta visita técnica ocorreu em uma Reserva Particular e suscitou muitas lembranças, uma delas foi á composição de Jorge Ben: “... Moro em um país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza...”.
Neste abrigo extenso pude experimentar o despertar cedo com as aves entoando seus cantos. Revi, só que desta vez livres e soltos, papagaios, periquitos, tucanos, águias. Conheci outros cantos e pássaros belíssimos em ordem de grandeza, e até delirei com comentários da possibilidade de rever neste safári natural, a harpia, a nossa maior águia.

Safári natural é a melhor descrição deste sítio composto por vegetação de Mata Atlântica preservada, Mata de tabuleiro, mosaico de biomas, onde os moradores nos surpreendem a qualquer instante.
Quando avisto algum bicho, desde os menores até os maiores, explodo em emoção de satisfação e agradecimento.
Neste sítio, não me cansei de avistar seus moradores e agradecer pelo momento de felicidade. Quem vê ou convive com bichos em cativeiro, conhece bem este sentimento, de partilhar o habitat naquele exato momento, com o bichano livre.
E com este sentimento de partilhar, tive o privilégio de avistar também: tapiti (lebre), veado, cutia, macuco, mutum, raposa e curiango. Alguns encontramos no Japi, outros na lista de extinção.
Os que não vi, por falta da oportunidade certa no local certo, mas que ouvi comentários: anta, onça pintada, onça parda, bugio, queixada, saua, dentre uma lista de presença da fauna brasileira.
Outros aspectos chamaram minha atenção: ecoturismo sustentável, construções ecologicamente corretas, consumindo energia renovável ressaltando e ensinando este conceito aos visitantes, integrando as pesquisas científicas. Sutilmente incutindo o meio ambiente e suas variáveis á todos que visitam este safári natural.

Isso tudo respaldado por um Plano de Manejo implementado que traçou diretrizes de planejamento, planos de ações, manutenção, monitoramento e fiscalização.
Por exemplo: manutenção – No Japi temos um problema seríssimo sobre a questão, pois não temos procedimentos de manutenção na rebio e nem em seu entorno. Gostei muito do sistema que é utilizado para o controle da velocidade das águas pluviais, um projeto de engenharia simples e funcional acionado pela execução de lombadas, cujos objetivos são atendidos e atenuados.
Este arsenal de ferramentas funciona desde que seus gestores assumam este compromisso com força de vontade e respeito.
Este exemplo que vivenciei por alguns dias, só vem reforçar minha convicção sobre a necessidade do Plano de Manejo efetuado ser implementado com urgência na Rebio do Japi e entorno.
Já estamos quase comemorando o aniversário de 01 ano da elaboração do Plano de Manejo, que segue bem escrito e guardado, resta saber: quando será executado???